Hoje, comemorando meio século de vida, queria falar muita coisa pra vocês,
como sou ruim nas palavras, aproveito aqui, as de Lya Luft.
Canção na Plenitude para mim, é uma verdade que foi transformada em poema
onde ela fala sutilmente de mágoas; fortemente de esperança e, esplendidamente de amor!
Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a peletranslúcida há muito se manchou.Há rugas onde havia sedas, sou uma estruturaagrandada pelos anos e o peso dos fardosbons ou ruins.(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.A maturidade que consegue rirquando em outros tempos choraria,busca te agradarquando antigamente quereriaapenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anosme ensinaram a amar melhor, com mais paciênciae não menos ardor, a entender-tese precisas, a aguardar-te quando vais,a dar-te regaço de amante e colo de amiga,e sobretudo força — que vem do aprendizado.Isso posso te dar: um mar antigo e confiávelcujas marés — mesmo se fogem — retornam,cujas correntes ocultas não levam destroçosmas o sonho interminável das sereias.
O texto acima foi extraído do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.
postado originalmente: http://www.releituras.com/lyaluft_plenitude.asp

















