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BELO JARDIM, NE/Pernambuco, Brazil
"... O sonho pelo qual brigo, exige que eu invente em mim a coragem de lutar ao lado da coragem de amar..." Paulo Freire Educador pernambucano

quinta-feira, 30 de março de 2017

A Cultura do Estupro precisa morrer!

Foto capturada no google


          No mês de março, tão significativo para as mulheres, a nossa cidade acorda com a trágica noticia de um estupro.  Pasmem! por volta das 07h00 da manhã, quando a moça se dirigia ao trabalho. Que mundo é esse? 

             Esse caso de Belo Jardim, está longe, muito longe de ser um caso isolado, pois, a cada 11 minutos, ocorre o estupro no Brasil. Situação essa que acontece em todas as classes sociais e independente de cor ou credo. Acontece em todos os espaços na universidade, nas baladas, na rua, nas igrejas, na casa de mamãe/papai... A violência naturalizada contra a mulher é de fato muito DEMOCRÁTICA.



              Esse crime traz a tona uma problemática enfrentada pelas mulheres cotidianamente, através da cultura do estupro. Essa cultura é real e muito presente na nossa sociedade, a importância de combatê-la é urgente e necessária, requer um trabalho continuo, muitas vezes desgastante, no entanto é preciso entender de uma vez por todas ou a gente arregaça as mangas e vai a luta ou continuaremos a sofrer esse mal.



               Precisamos combatê-la em todos os momentos, principalmente no nosso cotidiano, nas piadas machistas, na vulgarização da figura feminina pela mídia, nos assédios sexuais sofridos por todas em todos os lugares onde quer que a gente vá. É preciso repudiar tudo isso e de fato denunciar.

                    É preciso repudiar "botando a boca no mundo", é preciso que o nosso grito seja ouvido, não dá mais pra segurar a violência urbana institucionalizada que assola nossa cidade e que nos coloca sempre em situação de risco iminente e que cerceia o nosso direito de ir e vir. Se hoje o medo toma conta de todas nós no momento em que temos que sair para o trabalho, para a escola... enfim

                    Esse tipo de crime é uma reprodução da cultura machista, patriarcal e misógena existente na nossa sociedade e que não fere apenas a vítima, mas todas as mulheres!

                   É preciso agir, ir a luta, isso é crime hediondo e não pode ficar impune. Não há mais espaço para a banalização do estupro.



* É hora de clamar por justiça!

* De exigir dos poderes constituídos dessa cidade uma atuação humanizada e o fortalecimento da rede de atendimento para as mulheres em situação de violência!

* É hora de debater todo e qualquer assunto na Escola e dizer não a essa reforma proposta pelo MEC!

* É hora de entender que a LUTA no combate a violência passa por cada uma de nós, e que só terá êxito com o nosso EMPODERAMENTO, respeito não se ganha, se conquista e é o nosso conhecimento que irá nos garantir DIREITOS & RESPEITO!


Se a gente não cuidar, os retrocessos PASSARÃO!, já tramita no congresso uma lei que precisa se comprovar os casos de estupro!





4 comentários:

belojardim historico disse...

Eric Hobsbawm,historiador do séc. XX, nos diz que a Revolução Feminina, foi depois da Revolução Russa certamente a maior do Séc. XX,contudo o processo por igualdade não é uma luta que tem data nem hora pra terminar, se faz necessário levar o debate aos que ainda não foram despertados sobre a violência que tange nossas meninas e mulheres. O Brasil é um País machista, misógino e extremamente patriarcal. Mary Del Priore, em seu ensaio " História das mulheres no Brasil", nos relata que fomos colonizados por uma sociedade em que a mulher em primeiro momento pertencia ao Pai, depois ao marido e por último a Igreja, estas por sua vez devia obediência em todos os estágios de sua vida e as essas três instituições:Família, Casamento e Igreja, seguindo essa lógica não fomos donas nem se quer no nosso corpo. A virgindade pertencia ao Pai, sim, isso mesmo, ao pai, pois esta consistia na honra da família, nosso corpo pertencia aos maridos, estes escolhidos pelos nossos pais, o poder sobre o corpo era tão grande, tão cruel que servimos por muitos séculos como máquinas de gerar bebês, algumas sobretudo nordestinas chegaram a parir entre 10 e 20 filhos ao longo da sua vida, não era opção era determinismo, pois aquela sociedade além de não dispor de mecanismo que controlasse a taxa de natalidade, também dizia que um homem com muitos filhos provara sua virilidade, e por último a Santa Madre Igreja, onde impunha que deveríamos servir aos nossos maridos, deveríamos ser pura e santa como Maria. Foram séculos de lutas, de sangue, de olho roxo, de corpo cansado, mas somente no alvorecer do século XX conseguimos as duras penas conquistas tímidas, primeiro o direito de votar e ser votada, conquista das sufragistas inglesas, no Brasil só podemos votar e sermos votadas a partir da década de 1930.Conquistas espaços escolares veio mais tarde, na década de 1970, pois até então só poderíamos ocupar escolas de corte, costura,música e culinária,pois estes eram os requisitos pra que um rapaz nos aceitassem como esposa.Isso! A vitória de uma mulher era, por incrível e absurdo que pareça era SER CASADA.Quanto ao mercado de trabalho, a mulher pobre sempre trabalhou,na roça como camponesa, nas cozinhas como escravas e nas ruas dos grandes centros como vendedora de doces,porém estas segundo Mary Del Priore eram mal vistas pela sociedade da época, sobretudo as que deixavam seus lares pra vender ou trabalhar nas casas das famílias mais abastadas,mais não era escolha, era necessidade de ajudar no orçamento doméstico. Com o advento das grande Guerras do séc. XX, II e II Guerra Mundial, as fábricas foram ocupadas por mulheres,uma vez que os homens estavam enfileirados nos exércitos,foi a a partir de então que conseguimos ocupar espaços mais notáveis,como fábricas e repartições. A partir das décadas de 60/70 e 80 conquistamos o direito de ocupar bancos escolares e nos formar na profissão permita por mulheres como professora e enfermeira. Veio a Ditadura e suprimiu movimentos de esquerdas,sobretudo os feminismo, visto como algo pertencente ao pensamento comunista.21 anos se passaram até o fim da Ditadura, 21 anos com a luta travada e ameaçada,muitas foram as que morreram, as que desapareceram, que foram estupradas e violentadas nos porões da ditadura, mas lutamos, lutamos como DILMA,lutamos e sobrevivemos. Com a abertura democrática o novo desafio foi retornar as pautas, lutando contra os mesmo inimigos,mas ainda mais fortes devido ao conservadorismo dos anos de chumbo. A década de 90/2000 foram décadas importantes pro movimento feminista,uma vez que galgamos cargos públicos, aparecemos como protagonista não só na políticas,mas em outros campos. A luta foi e é grande e por isso não tem hora pra terminar, ainda mais em tempo de GOLPE.FORA TEMER!
Cibele Santos

belojardim historico disse...

Fora Temer!

belojardim historico disse...

Fora Temer!

Ednaiara Bezerra disse...

O feminismo não se trata da mulher querer ser mais que o homem. Se trata de termos os mesmo direitos que eles e de não sermos questionadas a respeito das decisões que venhamos a tomar em nossas vidas. Se trata de combater o machismo que tem assolado nossa sociedade e matado mulheres todos os dias. Se trata de combatemos a cultura do estupro e de podermos andar livremente nas ruas sem ter medo de sermos abordada por um cara que nos violentará. Se trata de não aceitamos ser humilhadas e agredidas por aquele que um dia acreditamos ser o amor de nossas vidas. Precisamos de empoderamento SIM, precisamos ter domínio e poder em qualquer que seja a situação.